terça-feira, 16 de julho de 2013

O chato é um chato, mas é essencial nos negócios

Fonte: Portal Exame
São Paulo - O chato é um chato. Não é o tipo de companhia que se quer para tomar um vinho, ir ao cinema ou para compartilhar um jantar. O chato tem a insuportável mania de apontar o dedo para as coisas, enxergar os problemas que não queremos ver, fazer comentários desconcertantes.
Por isso, é pouco recomendável ter um deles por perto nos momentos nos quais tudo o que você não quer fazer é tomar decisões. Para todos os outros — e isso envolve o dia a dia dos negócios, a hora de escolher entre um e outro caminho, de fazer isso ou aquilo — é bom ter um desses cada vez mais raros e discriminados exemplares da fauna empresarial por perto.
Conselho dado por alguém que entende muito de ganhar dinheiro, Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo: “Ouça alguém que discorda de você”. No início de maio, Buffett convidou um sujeito chamado Doug Kass para participar de um dos painéis que compuseram a reunião anual de investidores de sua empresa, a Berkshire Hathaway.
Como executivo de um fundo de hedge, ele havia apostado contra as ações da Berkshire. Buffett queria entender o porquê. Kass foi o chato escolhido para alertá-lo sobre eventuais erros que ninguém havia enxergado.
Buffett conhece o valor desse tipo de pessoa. O chato é o sujeito que ainda acha que as perguntas simples são o melhor caminho para chegar às melhores respostas. Ele não tem medo.
Não se importa de ser tachado de inábil no trato com as pessoas ou de ser politicamente incorreto. Questiona. Coloca o dedo na ferida. Insiste em ser um animal pensante, quando todo mundo sabe que dá menos trabalho e bem menos dor de cabeça deixar tudo como está. Acha ridículo ver o rei passear nu por aí enquanto todos ao redor fingem que nada está acontecendo.
O chato não se rende ao cinismo que, quase sempre, domina as relações nas grandesempresas. Ele não se conforma com a mediocridade (inclusive com a própria), com as desculpas esfarrapadas, com as demonstrações de autopiedade diante dos erros.
E o pior: quase sempre, as coisas que o chato diz fazem um tremendo sentido. Nada pode ser mais devastador para seus críticos do que a constatação de que o chato, feitas as contas, tem razão.
Pobre do chefe que não reconhece, não escuta e não tolera os chatos que cruzam seu caminho. Ele — o chefe, que frequentemente prefere ser chamado de líder — acredita que está seguro num mundo de certezas próprias, de verdades absolutas. Ora, qualquer dono de botequim sabe que o controle total de um negócio é uma miragem. Coisas boas e ruins acontecem o tempo todo nas empresas sem que ele se dê conta.
Achar que é possível estar no comando de tudo, o tempo todo, só vai torná-lo mais vulnerável como chefe — e mais ridículo aos olhos dos outros. E vai, mais dia ou menos dia, afastar definitivamente os chatos, os questionadores, aqueles que fazem as perguntas incômodas e necessárias.
Sobrarão os ineptos, aqueles que, não tendo opção de pensar em outro lugar, ficam por ali mesmo, fingindo que acreditam nas ordens que recebem e que são capazes de produzir algo que valha a pena.
Por isso, só existem chatos em lugares onde há alguma perspectiva de futuro. Esse espécime de profissional só prolifera em ambientes onde a liberdade de pensamento e expressão é respeitada (não estou falando de democracia total ou decisão por consenso), onde a dúvida não é um mal em si, onde existe disposição, coragem e humildade para mudar de trajetória quando essa parece ser a melhor opção.
Olhe para as companhias de sucesso espalhadas pelo mundo e conte quantos questionadores há nelas — e como eles são tratados pelos chefes e pelo grupo. São companhias eternamente insatisfeitas, que se questionam, mas que têm a coragem de ir em frente em suas decisões quando têm convicção.
Os muitos chatos que fazem parte delas questionam, ajudam a encontrar respostas e vão em frente — ainda que enxerguem os riscos onipresentes em qualquer tipo de negócio.
Em seu clássico discurso aos formandos da Universidade Stanford, Steve Jobs — o ídolo supremo dos chatos empresariais — deu sua definição do caminho para o sucesso. Seu último conselho: “Continuem famintos. Continuem ingênuos”. Ser chato é ser ingênuo. Ser chato é ser livre.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Site de currículo em formato de vídeo é a aposta de empresário

Fonte: Estadão.com

Redução de custos e tempo de contratação são os benefícios principais que o site Videojobs oferece aos seus clientes. Depois de oito meses para desenvolver o projeto, o empreendedor Alexandre Domingues colocou a empresa no ar há cerca de um mês. Nesse período, conquistou 25 clientes, sendo que dois deles são empresas de grande porte e outros são pequenos e médios.
O site tem uma base de quatro mil vídeos e quer aumentar o cadastro para até 100 mil ainda neste ano. “Estamos em um ritmo bom, pois outros sites de currículos registram de cinco a sete mil cadastros novos por mês”, diz. Candidatos a empregos podem incluir gratuitamente seus currículos em forma de vídeos para ficarem disponíveis às empresas que assinam um pacote.

Segundo Domingues, a ideia é eliminar a primeira entrevista. “Currículos são muito parecidos e isso dificulta a empresa na hora de selecionar e o profissional a diferenciar-se, então percebi uma oportunidade para atender a  uma necessidade do mercado”, afirma.

O empresário trabalhava como gerente comercial  em uma instituição financeira e decidiu se dedicar totalmente ao projeto. Para viabilizar a ideia, ele procurou um sócio investidor e seguiu avante na carreira de empreendedor. O valor investido até agora foi de R$ 100 mil, mas a empresa ainda terá duas etapas de investimento. Domingues conta que já está desenvolvendo novidades para 2014. “Queremos virar o setor terceirizado de seleção e recrutamento das pequenas e médias empresas”, afirma.
Uma facilidade para os candidatos é que no site eles encontram um manual que ensina a como fazer uma gravação de qualidade. Para as empresas que analisam os perfis, a vantagem principal, conta Domingues, é que o site oferece mais de 30 filtros de pesquisa. “Essa é uma quantidade bem acima do que outras ferramentas que atuam nesse segmento oferecem”, explica o empresário.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ler devia ser proibido

Campanha de incentivo à leitura idealizada e produzida por: Deborah Toniolo, Marina Xavier, Julia Brasileiro, Igor Melo, Jader Félix, João Paulo Moura, Luciano Midlej, Marcos Diniz, Paulo Diniz, Filipe Bezerra. (Alunos do 2ºano - turma pp02/2003 - do curso de Publicidade e Propaganda da UNIFACS - Universidade Salvador). 
Contatos: debytoniolo@hotmail.com, marina.x.r@gmail.com.br
Adaptação do texto de Guiomar de Grammont.

Como entender a etiqueta de seu ambiente de trabalho

São Paulo - Você está acostumado a frequentar aulas, lidar com professores, colegas de classe, estudar e fazer provas. De repente, o jogo muda. É preciso vestir roupas formais, pensar antes de dizer o que vem à cabeça, além de entender e atender a uma hierarquia composta de coordenadores, gerentes e chefes.
A chegada de um jovem ao mercado de trabalho é cheia de expectativas. A empresa quer ver logo o conhecimento e a criatividade do sangue novo. E o jovem tem ânsia de mostrar ao mundo a que veio.
Tanta ansiedade pode dificultar a leitura do ambiente de trabalho. Quando é a hora de pedir aumento? Como fazer sugestões para o chefe? Qual o momento certo de falar de uma promoção? Quando bate a dúvida e chega a insegurança, é preciso ter clareza sobre o que esperar da empresa e o que a companhia quer de você.
De acordo com a pesquisa Sonho Brasileiro, feita pela agência Box 1824 com jovens de 18 a 24 anos, 55% do público tem como maior sonho algo ligado ao trabalho. E 24% deles afirmam que seu maior objetivo de vida está relacionado à "profissão dos sonhos".
"Diante de tantos planos em torno do emprego, é esperado que num primeiro momento o jovem fique perdido e tenha dificuldade em lidar com o ambiente de trabalho", diz Danilca Galdini, sócia da Cia de Talentos.
Segundo a consultora, hoje essa "inadequação" é mais evidente por causa da educação que os jovens recebem.
"A geração anterior era treinada para entender ambientes. Quando uma criança aprontava, os pais olhavam feio e ela precisava sacar o que tinha feito. Agora, quando uma criança leva bronca, os pais explicam o porquê, eles ‘leem’ o ambiente por ela. A consequência é a dificuldade de entender sozinha o contexto de uma situação", diz.
Quando as dúvidas aparecem, o mais importante é não ter vergonha de perguntar. “Se tiver liberdade, fale com seu chefe. Senão, consulte o RH. Faça perguntas para entender como deve se vestir e como as pessoas da equipe se comunicam”, explica a consultora de carreira Vicky Bloch.
Ela ressalta que é essencial não entrar no mercado de trabalho só depois da faculdade: "Os estágios são importantes para aprender e começar a entender os códigos das empresas".
Copiar o comportamento de um colega de trabalho não é a melhor opção para quando bate a insegurança. "Isso pode inibir seu desenvolvimento, pois tolhe a própria sensibilidade. Para saber como agir é preciso ter um distanciamento das situações e se esforçar para analisar as posições de outras pessoas", diz Tiago Matheus, psicanalista e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.
Ruan Bianco, de 23 anos, quase caiu nessa armadilha em um momento de insegurança. Ele é formado em farmácia pela Universidade de São Paulo, mas o gosto pela área de negócios levou-o ao setor de inteligência de mercado da Daiichi Sankyo, empresa japonesa do ramo farmacêutico.
"Eu não entendia muitas coisas que meus colegas, formados em administração, diziam. Fiquei perdido e não sabia me posicionar”, diz. Depois de procurar a orientação de um coach, Ruan reverteu o jogo. “Comecei a usar meu conhecimento técnico como diferencial. Quando coloquei isso a meu favor, me destaquei, consegui reconhecimento e acumulei outra função”, afirma Ruan, que é analista júnior de inteligência de mercado — e agora também de novos negócios.
“Você deve pensar que precisa ser aceito sem ser igual aos outros”, diz Vera Martins, consultora e professora da Fundação Vanzolini. “É preciso saber o que aproxima e o que afasta as pessoas. Quando você mostra respeito pelo cargo do outro, gera uma emoção positiva nessa pessoa. Resultado: a pessoa vai se sentir querida por você, o que facilitará as relações com ela.”
Dependendo da cultura da empresa, para mostrar que se respeita um profissional mais experiente, deve-se pedir permissão para dar uma nova ideia. Analise antes se a hora que escolheu é a melhor — você pode não ser aceito, por exemplo, se chegar com uma novidade num momento em que a pessoa está insegura ou, ainda, na frente dos outros.
Conversar com o chefe direto é uma via fundamental para resolver os problemas. Mas, antes de chegar até ele, ouvir a opinião de colegas pode ajudar a clarear as ideias. É estar disponível para aquele papo no cafezinho, por exemplo. Isso pode ser muito bom para conhecer o funcionamento de seu departamento, os códigos e até os tabus que há por ali.
O apoio da família também é importante. “Seus pais sempre terão algo a agregar sobre seus problemas, não importa qual a profissão deles”, diz Daniela de Rogatis, consultora na área de educação em família. “Estudar sobre o assunto de que se tem dúvida dá mais repertório. Muitos problemas são resolvidos entendendo a história da empresa em que trabalha. É fundamental respeitar as estruturas existentes”, diz Daniela.
Para trocar ideias e se relacionar com tranquilidade, é necessário ter muita clareza do que é possível dentro da empresa. Caso sua expectativa seja uma promoção, pare e pense: "Será que onde trabalho isso é possível?" Antes de conversar com o gestor, analise o momento pelo qual a companhia está passando, se há condições para que essa subida de cargo aconteça.
"Vá entender primeiro o que é esperado do cargo que você tem e se, dentro disso, há algo que ainda esteja faltando, para depois falar sobre a promoção", afirma Danilca.

domingo, 7 de julho de 2013

Trabalho em casa: o futuro do mercado?

Acordar cedo e enfrentar horas de trânsito para ir trabalhar são, cada vez mais, coisas do passado. Pelo menos é o que pensa Donald Feinberg, analista da Gartner Intelligence, que mostra como conceitos como "bring your own device" e "home office" podem ser a cara da empresa que pensa no amanhã.

sábado, 6 de julho de 2013

O que os recrutadores querem saber ao buscar referências

São Paulo – Buscar referências do trabalho de candidatos a umaoportunidade profissional até pouco tempo era uma prática restrita a alguns cargos específicos no Brasil. Mas com a expansão do mercado de recrutamento no país e a, consequente, necessidade de minimizar ao máximo os erros na contratação, os headhunters estão se valendo mais da prática.

Enquanto em outros países, o hábito mais corrente é o antigo chefe enviar uma carta de recomendação, por aqui, os recrutadores entram em contato por telefone com chefes, subordinados e clientes internos de empregos anteriores – geralmente, indicados pelo candidato. Todas as informações prestadas, garantem os especialistas, são mantidas em sigilo. 

“Na checagem de referências, é possível captar aspectos subjetivos que não conseguimos perceber na entrevista”, diz Gabriela Coló, da Havik. Por isso, segundo Adriana Prates, da Dasein Executive Search, geralmente, aos recrutadores com mais experiência é delegada a tarefa de contatar as pessoas que já trabalharam com o candidato em questão. 
Segundo levantamento da Havik, 59% das pessoas que já foram abordadas para contar sobre a experiência que tiveram com um antigo colega admitem serem transparentes durante toda a conversa de checagem de referências. De acordo com a pesquisa, tais pessoas mencionam não só os pontos positivos, mas até o que o candidato em questão ainda tem para desenvolver profissionalmente. 
Para 14%, a estratégia é apenas citar os pontos negativos – sem aprofundar. Já 9% dos entrevistados afirmam que só mencionam as qualidades do profissional em questão.
Confirmar informações
O objetivo mais básico dos recrutadores ao entrar em contato com antigos colegas de trabalho é simples: checar se as informações passadas pelo candidato são verdadeiras, de fato. Neste momento, cargos, promoções, funções, salário e motivo/contexto para a demissão entram na conversa. E, muitas vezes, o recrutador até entra em contato com o setor de RH da empresa para checar detalhes específicos. 
Quem doura a pílula ou conta uma mentira menos sutil pode ser desmascarado já neste momento, contam os especialistas. “Cerca de 80% dos profissionais falam que pediram demissão. Quando falamos com os antigos empregadores, percebemos que não foi bem assim”, conta Adriana Prates, da Dasein Executive Search. 

Checar valores e estilo

Confirmadas as informações básicas, é hora de saber, na prática, como era o profissional em questão. Primeiro, de acordo com Gabriela Coló, da Havik, o hábito é fazer perguntas abertas. 
“O que você tem a dizer sobre fulano?” ou “Como era a sua relação com ele?” são algumas das perguntas básicas para iniciar uma conversa do tipo. “As perguntas abertas trazem o que foi mais marcante sobre o profissional”, diz Gabriela. 
O estilo de gestão, a maneira como a pessoa lidava com a pressão ou com o trabalho em equipe, entre outros fatores, são colocados na mesa.
Descobrir problemas de comportamento
A partir do parecer da pessoa que está dando referência, o recrutador consegue “pescar” alguns indícios de problemas de comportamento por parte do candidato em questão. Se eles aparecerem, a regra é aprofundar. Mas, segundo Gabriela, a ideia é buscar essas informações de maneira natural, sem forçar.
Se tudo correr bem, todos os recrutadores lançam mão de uma pergunta chave: “Você trabalharia com esta pessoa novamente?”. A resposta (ou o simples titubear) podem revelar muito. 
Veja algumas das perguntas mais comuns na hora de checar referências
1 O que você pode me dizer sobre o profissional X?

2 Como era a sua relação com ele? 
3 Ele foi demitido sem justa causa, o que aconteceu?
Como a pessoa executava o trabalho? 
5 Qual o principal resultado que o profissional trouxe para a companhia? 
6 Nos momentos em que era preciso agilidade para resolver uma questão, como ele reagia? 
7 Ele provocou algum conflito na empresa? 
8 Como era o relacionamento com os colegas, subordinados e chefes?
9 Como o profissional lidava com prazos? 
10 Você trabalharia novamente com esta pessoa?